quinta-feira, 19 de junho de 2008
A cana-de-açúcar brasileira completa 508 anos. E você? vai comemorar?
O que mudou de lá pra cá? Quase tudo, menos o amor dos brasileiros pela cana-de-açúcar.
Durante o Brasil-colônia quem conhecia o doce sabor do açúcar produzido pelos brasileiros eram, principalmente, os países europeus. Além de Portugal, que obtinha lucros com os engenhos instalados aqui. Darcy Ribeiro cita que por volta de 1570, a produção de cana-de-açúcar havia crescido tanto que o açúcar passou a ser a principal mercadoria do comércio internacional. Os negócios iam bem, e houve uma época em que os engenhos tinham até 30 mil escravos importados.
Quinhentos anos se passaram e a cana-de-açúcar continua fazendo a alegria de muitos brasileiros. O campo cresce. A indústria corre atrás. Segundo estimativa da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o Brasil já tem 350 usinas em funcionamento. Das 31 que devem ser inauguradas ainda este ano, treze estão no Estado de São Paulo. Com isso, os 30 mil funcionários (escravos importados) do século XVI se transformaram em um mutirão de colheitadeiras e uma multidão de um milhão de empregados diretos e indiretos em todo o Brasil.
A safra de cana-de-açúcar (2008/2009) deverá ser a maior da história, com 498,1 milhões de toneladas colhidas.
Os principais produtos extraídos da cana-de-açúcar, na época do Brasil-colônia eram açúcar, rapadura, aguardente e melado. Hoje, o “guru” dos usineiros é o etanol, produzido a partir de 1975 e utilizado em larga escala após o início da fabricação de veículos flex.
A principal característica da indústria canavieira é a expansão através do latifúndio, resultado da alta concentração de terras nas mãos de poucos proprietários.
Nesse contexto, a figura do senhor de engenho marcou a história do Brasil. Darcy Ribeiro destaca: “A casa-grande alcançava grandeza de solar senhorial com torres e capelas, e as senzalas, onde se acumulavam dezenas de escravos, geralmente na forma de um vasto barracão coberto de palhas”.
Com isso, naturalmente a sociedade brasileira nasce em torno do complexo formado pela economia do açúcar. Os modos de vida e os costumes da época formaram a chamada cultura crioula, originada e desenvolvida nas matrizes culturais indígenas, africana e européia. Apesar da cultura ser um resquício das características desses três povos, um novo estilo de vida foi formado, cujos integrantes (os brasileiros) olharão o mundo, se relacionarão uns com os outros e atuarão sobre o meio de maneira completamente diferente. O senhor do engenho era o detentor predominante da classe mais abastada, cuja hegemonia se projetava na sociedade inteira, submetendo todos à estrutura hierárquica do engenho.
No nordeste, como por todo o país, o negro foi ‘desculturado’ de suas matrizes originais e aculturado à etnia neobrasileira.
Durante o desenvolver de todo esse processo restaram ainda os cultos, fundados nos costumes africanos e que ainda hoje tem adeptos; a massa assalariada, que, livre, permanece atada às plantações; e uma parcela de escravos (não é raro ler ou ver pessoas nos grandes centros ou no interior submetidas ao regime escravo).
Quinhentos anos se passaram.
Continuamos sendo o maior produtor de derivados de cana-de-açúcar do mundo. Permanecemos no mesmo padrão de estrutura social do Brasil-colônia: usineiros muito ricos de um lado e trabalhadores braçais muito pobres, do outro.
Evoluímos?
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Abraço

Áh, o amor
ele é lindo, sempre. Por mais que a foto tenha um toque macabro.
Os dois esqueletos morreram assim, abraçadinhos, há cinco ou seis mil anos. Eles foram encontrados por um grupo de arqueólogos romanos que faziam escavações nos arredores de Mantova, no norte da Itália.
Pouco se sabe sobre eles, mas, segundo a arqueóloga Elena Menoti, eram jovens, pois os dentes ainda estavam intactos.
Semplicemente Amor
:)
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Comer criancinhas??!?
Hoje inicia nosso último ano letivo da graduação. Para comemorar a data, reproduzo, aqui, uma carta do jornalista Rodrigo Vianna. Carta que eu endereço diretamente aos meus colegas de profissão.
Após ler a postagem, pensem comigo na seguinte questão:
Não acho que a Globo seja a única "comedora de criancinhas". A maior parte da imprensa de hoje está canibalizada (=canibal+globalizada segundo o dicionário da Elo). A imprensa de Foz está pobre (de informações). Pra se ter uma idéia do tamanho da endemia até a imprensa de Matelândia está se prostituindo (e ganhando dinheiro, por sinal)
Por favor
Não colaborem com suas próprias frustração e depressões. Leia a carta de Rodrigo Vianna e vejam se o contexto da profissão que você pratica no seu dia a dia HOJE condiz com o que ele diz.
Não fiquem frustrados, porque não quero ver meus coleguinhas comprando anti-depressivos ok?
:D
e, só mais um favorzinho, lembrem que a honestidade é sempre mais importante do que o agrado a qualquer chefe ou do que qualquer furo de reportagem.
http://blogdomello.blogspot.com/2006/12/demitido-reprter-da-tv-globo-acusa.html
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Filme
vale muito a pena assistir a esse filme e perceber, dentre outras cousas, que existe algo muito mais importantes do que nós mesmos.
não basta ser você, é preciso participar
principalmente vocês, jornalistas, formadores de opinião.
por favor, não me decepcionem
http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024
Acessem esse link para assistir ao filme e sejam felizes
:)
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Imagem: tudo ou mais um pouco?
Há uma imensidão de pauteiros, repórteres, editores e repórteres cinematográficos registrando cada momento de suas vidas. Alguns fazem questão de exibir as próprias travessuras, mas outros gostam mais de capturar as imagens do dia a dia comum a todos. E os amadores se misturam aos profissionais (mais um exemplo que comprova a frase: “a internet é o meio de comunicação mais democrático já visto até hoje”).
E se antes vídeo e internet não falavam a mesma língua, hoje estão se entendendo - e muito bem. O incentivo maior para que esse tipo de mídia se desenvolvesse aconteceu a partir de 2005, com o surgimento do Youtube. A partir daí as postagens de vídeos em sites virou moda – E muita gente aderiu.
“Enviei um vídeo de uma corrida pega-porco que acontece em Medianeira todos os anos. Percebi que era um assunto curioso, e que merecia ser compartilhado com quem não conhecia o evento. Aproveitei a oportunidade, pois filmei com a mesma máquina que tirava fotos”, argumenta o empresário Liandro Carniel, que enviou o vídeo ao quadro “Na hora certa”, do site da Rede Paranaense de Comunicação.
Lançado em março desse ano, o quadro dispõe de um sistema simples de recebimento de vídeos. De acordo com o responsável pela página da RPC na internet, Luciano Juvinski, a audiência do site vem crescendo 13% ao mês desde que o quadro foi criado.
“Esses novos recursos contribuem para o crescimento. A interatividade faz o telespectador participar do telejornal. Por exemplo, quando houve granizo recentemente no Estado, recebemos mais de trinta vídeos de telespectadores em apenas um dia. E eram vídeos de várias regiões do Paraná. Usamos a grande maioria. Isso cria uma relação com o telespectador. De certa maneira, ele acaba sendo um "olho" da TV no que acontece na rua”, destaca o chefe de redação da RPC, Eduardo Abilhoa.
Pautas em tempo real, sistema prático e barato para manter, as empresas vêem os sites como uma ferramenta valiosa de comunicação com o público, e um segmento a ser cada vez mais explorado.
“Nós queremos o telespectador participando do Jornalismo da RPC. E estamos conseguindo. Não conseguimos estar em todos os pontos da cidade e com o Na Hora Certa, o telespectador nos ajuda a ser esse"olho". Acidentes, imagens curiosas, imagens de animais, do tempo (chuva, granizo, sol). A participação nos surpreendeu e a intenção é, sim, investir cada vez mais em internet”, explica Abilhoa.
Em outros sites de notícias, previsão do tempo, humorísticos e blogs é difícil navegar por alguns minutos e não esbarrar em arquivos de vídeos. As tendências já foram percebidas pelos comunicólogos. Os telespectadores e internautas confirmam. “É uma excelente maneira de interagir e principalmente atrair o espectador. O jornalismo sai do ambiente fechado onde o editor define o que é interessante, e passa a abrir as portas para quem realmente vai assistir”, define Liandro.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Roupa suja? Nada de lavar em casa
Tudo bem, eu sei, ele insiste nisso. Mas sabe o que você pode fazer? Dá um chega-pra-lá nele com o seu aventalzinho de lavar roupa. Olée!
Coloca uma camisola super sexy e pede pra ele o que ele prefere. Se ele quer você de avental no tanque ou se ele te quer de camisola, na cama. A vida é feita de escolhas e como hoje o mundo é capitalista, neoliberal e quase feminista...
Surgiram as lavanderias!! Deus tarda mas não falha. A Eva foi quem não sofreu nada. A desgraçada egoísta não pensou na gente. Claro, ela estava sempre quase nua, só com uma roupinha ecológica e orgânica. Ela que não tinha que ficar horas e horas coordenando e praticando um processo cronológico e lógico. Molha a roupa, passa sabão, separa as pretas das brancas, as coloridas das brancas e das pretas, as calças jeans com escova, as blusinhas de fio, linho, voal, liganete e lycra só esfrega com a mão. Ok. Sabão, esfrega, deixa de molho, enxágua. Amaciante, esfrega, de molho, enxágua, torce, bate, estende.
Nossa, isso dá um samba.
Eva desgraçada. Roupa e samba. É tudo culpa sua. E tudo por causa de uma maçã. Porque não ficar só com a banana?? Fominha!
Voltando ao caso (quero esquecer que a Eva existe), as lavanderias são m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a-s! Foi-se o tempo em que elas eram usadas somente para lavagem de roupas de gala ou cobertores. “Hoje chega aqui de tênis a calcinha!”, diz Diva Dvioba, gerente de uma lavanderia de Foz do Iguaçu. Há 11 anos nesse ramo, Diva afirma que o mercado está em expansão. “Já cheguei a lavar 600 quilos de roupa por semana. As pessoas estão cada dia mais ocupadas. Além disso, as meninas de hoje em dia, das novas gerações, não aprendem a lavar roupa como a gente aprendia antigamente”.
De acordo com a Associação Nacional de Empresas de Lavanderia (Anel), existem, no Brasil, seis mil lavanderias, das quais aproximadamente 4,8 mil são domésticas e 1,2 mil são industriais. Juntas, faturam 1,5 milhões por mês.
Os motivos são os mais diversos, mas é inegável que as lavanderias vêm despertando o interesse das pessoas. Num mundo onde a maioria possui cada vez menos tempo, tudo o que puder favorecer a praticidade do dia-a-dia será bem vindo.
A jornalista Rosana Piton diz que já perdeu as contas de quantas vezes utilizou os serviços da lavanderia. “Eu levo roupa pra lavar há quase 20 anos, pelo menos de 15 em 15 dias. As roupas que são lavadas em casa não ficam iguais. Quando as camisas sociais do meu marido, por exemplo, chegam da lavanderia, dá gosto de ver. Elas são bem passadas”.
Um exemplo de que esse mercado vem dando certo é a rede de lavanderias que possui 5 lojas em Foz do Iguaçu e atende hotéis, restaurantes e pousadas, além do atendimento residencial, através do “disk lav”. De acordo com a gerente, Rosangela Schuster Scappini, que está há 20 anos nesse ramo, em breve a lavanderia iniciará uma nova atividade: a higienização de roupas e lençóis hospitalares. “Para atender à demanda hospitalar, estamos abrindo a 6º loja em Foz. Serão dois mil quilos por dia para lavar. Será um trabalho muito rigoroso, porque para lidar com material hospitalar é preciso equipamentos e produtos de limpeza especiais, tratamento de esgoto e uma série de exigências que serão cumpridas”.
Para Rosangela, a maior parte das pessoas acredita que lavanderia é um serviço simples, sem segredos ou complicações. A gerente destaca que ainda há muito a ser explorado nesse mercado
“É um setor bastante segmentado. Quem não lava roupa hoje em dia? Há um trabalho minucioso por trás disso”, destaca Rosangela, quando se refere aos quase 170 mil quilos de roupas lavados mensalmente nas 5 lojas.
Outro assíduo freqüentador das lavanderias, o free-lancer Henrique Caniza destaca: “Na época que eu era solteiro usava muito as lavanderias. Imagina, eu que tenho que trabalhar de branco, tem que estar com a roupa impecável. Depois comecei a namorar, e fui morar com ela. No início minha namorada até lavava minhas roupas. Quando eu podia também ajudava ela. Mas depois ela se deu folga desse trabalho e começou a mandar tudo na lavanderia. Acho ótimo, porque ela odiava lavar roupas. E agora sobra mais tempo pra gente aproveitar cozinhando juntos, por exemplo. Bem mais romântico né?”
É.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Vale a pena baixar, ouvir, cantar, praticar

Salão de Beleza
Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro
Se ela se penteia
Eu não sei!
Se ela usa maquilagem
Eu não sei!
Se aquela mulher vaidosa
Eu não sei!
Eu não sei!
Eu não sei!...
Vem você me dizer
Que vai num salão de beleza
Fazer permanente
Massagem, rinsagem, reflexo
E outras "cositas más"...(2x)
Oh! Baby você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão...
Baby você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão...
Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição...
Vem você me dizer
Que vai num salão de beleza
Fazer permanente
Massagem, rinsagem, reflexo
E outras "cositas más"...
Baby você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão...(2x)
Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição...
Belle! Belle!
Como Linda Evangelista
Linda! Linda!
Como Isabelle Adjani...(3x)
Veja como vem!
Veja bem!
Veja como vem
Vai! Vai!
Vem! Veja bem!
Como vai! Vem!
Veja como vai!
Veja bem!
Veja bem como vem!
Vai! Vem!
Se ela vai também!
Aí! Bela Morena
Aí! Morena Bela
Quem foi que te fez tão formosa?
És mais linda que a rosa
Debruçada na janela...(2x)
Toque feminino
Depois da Revolução Industrial as máquinas substituíram boa parte da mão-de-obra humana. Mas só uma parte, porque na Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, por exemplo, por trás das imensas turbinas, existe uma equipe responsável pela produção e controle da energia de 20% dos brasileiros e 95% dos paraguaios. Em uma sala grande, com muitos equipamentos, tudo é controlado. Geração, distribuição, análise e monitoramento da energia.
Área restrita, para poucas pessoas. Controlando os equipamentos, homens. Preocupados, sérios, pragmáticos na tomada de decisões. O número de megawatts produzidos pela usina são altos. O número de pessoas controlando as máquinas também é grande. Só o número de mulheres é reduzido nessa função. Aqui se aplica um ditado antigo, mas real, “toda regra tem exceção”.
No caso da usina, a exceção tem nome. Elisiane Shoessler de Brites. Mulher, 23 anos, 1,69 de altura, 53 Kg. Única mulher em todo o Brasil ocupando o cargo de operadora de usina. quando começou a trabalhar na sala de controle, ela tinha 17 anos.
Elisiane chegou em Foz do Iguaçu há seis anos. Natural de Santa Maria (RS), ela veio para a terra das cataratas em busca de uma oportunidade de estágio. Então resolveu participar de um concurso da Itaipu. Passou a primeira fase, passou outra, passou no concurso. Ficou um ano como trainee. E aos 18 foi efetivada.
Como válvulas, essas pessoas levam os comandos do coração da usina, a sala de controle, para todas as partes desse corpo imenso. Elisiane observa os painéis indicativos e participa de manobras como regular o fluxo do vertedouro formando um dos espetáculos mais apreciados de Itaipu. Ela ainda monitora as unidades geradoras de energia, dispostas em uma sala de máquinas de um quilômetro de extensão.
Informações técnicas complementares: www.itaipu.gov.br
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
O Cotidiano Oculto
As palavras voam, a escrita fica
Datas comemorativas, costumes e ditados populares. De onde vem nossos costumes do dia a dia?
Saber porque na nossa cultura os aniversários são comemorados com bolo, velas e o tradicional “Parabéns a você”, porque o Papai Noel se veste de vermelho e porque um coelho se transformou em personagem-símbolo da Páscoa é um desafio para muitos. É na disciplina de cultura brasileira que temos a oportunidade de estudar essas curiosidades. Tão comuns no nosso dia a dia, tão sem explicações em nossas cabeças. Pessoalmente, o que é curioso e atípico me encanta. E foi justamente procurando a atipicidade dos momentos que pensei: ao invés de fazer um trabalho nas coxas, porque não buscar as explicações e significados das frases e ditos que pronunciamos no dia a dia?
É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que reconhecer alguém que saiba qual a origem desses ditados. A quem já sabe, parabéns! É de tirar o chapéu tamanho conhecimento. Dessa forma, fique à vontade para dispensar esta leitura. Mas para quem é curioso e não gosta de ficar a ver navios, seja bem-vindo! Até porque, o pior cego é aquele que não quer ver.
Vamos lá. Antes tarde do que nunca! Porque em todas as situações, a ocasião faz o ladrão.
Algumas expressões surgiram de acontecimentos gerais e históricos, tais como:
- Tirar o chapéu - É utilizada no sentido de demonstrar respeito por alguém ou por alguma coisa. A origem da expressão vem da época em que as pessoas tiravam o chapéu quando passavam em frente a um templo religioso, numa atitude de respeito.
- Ir para o quinto dos infernos - Na época da mineração no Brasil colônia, havia um imposto da coroa portuguesa que se chamava 'quinto', pois era cobrado um quinto de toda a mineração de ouro e outros metais. Dizia-se quando alguém tirava seu ouro e falava "Essa parte vai para o quinto dos infernos”, como uma forma de protesto oral contra a cobrança de impostos.
- Agulha e camelo - No Novo Testamento, no livro de São Mateus, está escrito "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus". O problema é que São Jerônimo, o tradutor do texto, interpretou a palavra "kamelos" como camelo, quando na verdade, em grego, "kamelos" são as cordas grossas com que se amarram os barcos. A idéia da frase permanece a mesma, mas qual parece mais coerente?
- OK - Durante a Guerra de Secessão, quando as tropas voltavam para o quartel após uma batalha sem nenhuma baixa, escreviam numa placa imensa: "0 Killed"(zero mortos). Dai surgiu a expressão "O.K." para indicar que tudo correu bem.
- Fazer nas coxas - Os telhados na época pós-descobrimento do Brasil não eram simétricos como os telhados franceses, porque os moldes das telhas eram as coxas dos escravos negros. Como alguns tinham a coxa mais grossa que outros, o telhado não ficava uniforme, surgindo, então, a expressão "Fazer nas coxas".
- Santo do pau oco - No século XVIII, os grandes senhores de terra sonegavam impostos escondendo suas riquezas dentro de imagens ocas de santos.
- Casa da mãe Joana - Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a menoridade de Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase casa da mãe Joana ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.
- Conto do vigário - Duas igrejas de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários contariam com a ajuda de Deus, ou melhor, de um burro.O negócio era o seguinte: Colocaram o burro entre as duas paróquias e o animalzinho teria que caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários havia treinado o burro. Desse modo, conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.
- Ficar a ver navios - Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.
- Não entender patavina – Significa não saber nada sobre determinado assunto. A frase foi inspirada em Tito Lívio, natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália), que usava um latim horroroso, originário de sua região. Nem todos entendiam. Daí surgiu o Patavinismo, que originariamente significava não entender Tito Lívio, não entender patavina.
- O pior cego é o que não quer ver - Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D'Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.
Não se sabe ao certo quando os ditos populares surgiram. Pelo visto, deve fazer bastante tempo, porque alguns datam de séculos atrás. A relação com o folclore é estreita, pois remete aos costumes e vivências dos povos. É uma cultura aberta, que vai se modificando, e acaba transformando-se em linguagens especiais, passíveis de serem estudadas, compreendidas e catalogadas.
Com o tempo, são passadas de uma geração a outra. Muitas vezes através da imaginação, quando o povo busca explicar os mistérios da natureza onde vivem, abrandar seus temores através da religião e compreender a vida de um modo geral.
Os ditos populares são representados por tradições e crenças expressas das mais diversas formas. Supõe-se que alguns sejam reais, como os citados acima, e outros são considerados fruto da imaginação do homem, uma “mentira dita muitas vezes” que com o tempo é aceita como verdade absoluta, e acaba sendo praticada por um grande número de pessoas.
Mas não pense que os ditos populares são apenas aqueles tradicionais, de anos atrás. Exemplos reais de que nós continuamos criando esses ditos são as frases: “Não é brinquedo não”, “Ninguém merece” e o mais recente “Catiguria”, bordão da personagem Bebel, da novela “Paraíso Tropical”, da Rede Globo. Pode –se dizer que a televisão, através das novelas e reality shows é a grande propulsora do linguajar popular amplamente praticado pela população. Mesmo quem não assiste a esses programas acaba “vítima” do processo de repetição incansável do personagem ilustrador de tais ditos. Aos companheiros e ferrenhos críticos das alienações provocadas por nossa televisão, não se revoltem e pratiquem, também, nossos novos ditos populares. Afinal de contas, a voz do povo é a voz de Deus.
Para quem é curioso e gosta de meter o bedelho em tudo, segue abaixo mais alguns ditados populares da cultura brasileira.
- BICHO-DE-SETE-CABEÇAS - Quer dizer um problema muito complicado.
- DAR NÓ EM PINGO D'ÁGUA - Quer dizer fazer uma coisa muito difícil.
- FAZER COM O PÉ NAS COSTAS - Quer dizer fazer algo com muita facilidade.
- DEIXAR A PETECA CAIR - Quer dizer desistir, desanimar.
- DOR-NO-COTOVELO - Quer dizer inveja ou ciúme.
- MATANDO CACHORRO A GRITO - Quer dizer estar numa situação bem difícil.
- FICAR COM A PULGA ATRÁS DA ORELHA - Quer dizer ficar desconfiado.
- PINTAR O SETE - Quer dizer fazer muita bagunça.
- MARIA-VAI-COM-AS-OUTRAS - Quer dizer a pessoa que só faz o que os outros fazem.
- ENTRAR PELO CANO - Quer dizer se dar mal.
- TOMAR CHÁ DE SUMIÇO - Quer dizer desaparecer, ir embora.
- DAR UM RISO AMARELO - Quer dizer ficar encabulado, sem graça.
- VÁ LAMBER SABÃO - Quer dizer não perturbe, não aborreça, não enche.
- DAR NO PÉ - Quer dizer fugir, ir embora bem depressa.
As expressões e ditados populares utilizados no texto foram tirados do site: www.brasilcultura.com.br
